Ortodoxia - Chesterton - segundo diálogo
12 Maio, 2008 de gavranha
Há uma frase de efeito bastante conhecida que diz mais ou menos o seguinte:
“Pessoas medíocres falam sobre coisas; pessoas comuns conversam sobre outras pessoas; pessoas especiais discutem idéias.”
Em várias ocasiões que citei essa frase ouvi como resposta que se tratava de um pensamento elitista - por se referir a pessoas “especiais” - ou mesmo carregado de uma certa arrogância, já que quem a defende deve, supostamente, se considerar “especial” ou não a utilizaria.
Concordo com as duas afirmações, embora seja uma pessoa comum.
Entendo como especial a pessoa que dedica a existência a desenvolver ao máximo as suas potencialidades. Isto é, a pessoa que aplica a totalidade de seus recursos (tempo, dinheiro, saúde etc.) no aprimoramento de suas qualidades espirituais, profissionais, físicas, morais, sentimentais, a pessoa que procura com todas as suas forças melhorar, contínua e progressivamente, os aspectos da personalidade que a constituem e, sobretudo, que a individualizam e a tornam uma pessoa única, singular e, portanto, especial.
O indivíduo que deixa a manada e se torna sujeito pode contribuir mais e melhor. (Pode também se tornar mais perigoso, mas a perversão da inteligência já é outro assunto.) E não é por outra razão que só se pode conceber uma verdadeira elite onde se encontrem indivíduos especiais.
A questão é que poucos conseguem se entregar com tanto empenho à tarefa de viver uma existência plena. A grande maioria sofre com limitações que não consegue superar, limitações de toda ordem que interrompem, comprometem ou inviabilizam a busca do crescimento antes mesmo que ela comece. A grande maioria tenta empreender a jornada mas esbarra já na saída. E não consegue.
Por isso, a grande maioria das pessoas é obrigada passar a vida lamentando talentos que não puderam ser desenvolvidos, filhos que não puderam ser amados, pais e mães que não puderam ser honrados, profissões que não puderam ser conquistadas, a conhecida e interminável lista de frustrações e de pseudo-fracassos que faz a alegria dos psicanalistas e dos escritores de auto-ajuda.
Assim é como vivemos nós, a grande maioria das pessoas; nós, as pessoas comuns.
Os medíocres são aqueles que nem tentam. Estão muito ocupados cuidando de suas coisas.
Chesterton foi um homem especial. Seu pensamento é de elite. Sua obra é o testemunho de sua busca.
Comecemos, então, a leitura de Ortodoxia.
[...] sei se esta frase é de Chesterton; tenho muitas dúvidas sobre a sua autoria. Contudo, “great” não significa “especial”, mas “gente com [...]
Alguém sabe de quem é a frase?